
Lembra-se desta expressão?: “O grande irmão está a observar-te”, surgida com o primeiro reality show em Portugal, e que foi campeão de audiências no início do século, a perda de privacidade foi muitas vezes colocada em causa e alvo de inúmeros debates. Mal sabíamos nós, que anos mais tarde, a nossa vida iria estar disseminada por todo o mundo. Quase sem segredos.
Depois do nosso artigo da semana passada - E se o Facebook lhe pagasse200€? Acreditava? – entendemos que devemos explicar-lhe os perigos que vivemos
diariamente neste mundo global.
Para começar, é importante perceber o que está em causa. Ou seja, a razão
porque é que os dados dos internautas são assim tão importantes.
Porque é que há tanto interesse na informação pessoal? Como é que eles
são tão úteis para as empresas?
A resposta, aliás, as respostas não são simples. Ou melhor, serão sempre
incompletas, pois, tratando-se isto de um processo globalizado, de uma escala enorme
que ninguém consegue balizar, encontraremos múltiplas razões… Vamos, portanto,
ficar por razões mais básicas e que, bem compreendidas, poderão ajudar a
proteger individualmente cada cidadão.
Quantas vezes não lhe aconteceu fazer uma determinada pesquisa, no Google,
por exemplo, e depois, em múltiplos sites haver publicidade relacionada com
essa mesma pesquisa?
Se for daqueles mais atentos, responderá que foram múltiplas vezes. Se,
pelo contrário, for mais distraído, dirá que nunca se apercebeu. Mas, o que lhe
podemos garantir é que isso mesmo já lhe aconteceu centenas ou milhares de
vezes e, não temos dúvidas, em algum momento clicou nesses anúncios. Pode nunca
ter comprado nada, nem tal ter representado um gasto direto para si, mas foi imbuído
a visitar uma coisa (um produto, assim lhe chamemos) que lhe era familiar ou
que lhe tenha suscitado interesse.
E aqui está: ao usar o seu computador, tablet ou smartphone, na internet
estudam o seu comportamento. Mais do que se chamar José, Maria, António ou Ana,
as empresas querem é saber a sua idade, os seus interesses, o que o motiva, o
que lhe desperta a atenção, o que é capaz de comprar, os seus hábitos… Em
poucas palavras (e pedimos desculpa pelas maiúsculas): O SEU COMPORTAMENTO.
Há quem
diga que o nosso comportamento na internet é o negócio do petróleo do século
XXI. Uma analogia interessante e de grande fundamento, senão, veja mais à
frente.

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